ENTRE PÁGINAS E TELAS: UM RETRATO DA LEITURA EM TEMPOS ACELERADOS
Mariana Gardin Machado, 05 de maio de 2026
|Será que ainda lemos como antes?
Em um passado não tão distante, era comum nos deleitarmos nas páginas de um livro. Líamos com atenção e reservávamos um instante, mesmo que breve, para refletir sobre o que foi lido. A leitura não era medida por metas ou pelo número de livros concluídos por mês.
Hoje, o ato de ler parece ter ganhado uma nova roupagem: a de um simples “consumo de conteúdo”, porém sem a digestão necessária. Nos meios digitais, é comum “ler por cima”, ou seja, localizar palavras no texto rapidamente, como em um caça-palavras, e logo pular para as conclusões. Ler tornou-se um ato de escanear palavras, não mais de mergulhar nelas.
A superficialidade nos transformou em seres insensíveis às palavras e ideias. Há informações demais, mas tempo de menos para deixá-las maturar em nós. A pressa ultrapassou a bolha das redes sociais e contaminou o ato de ler.
“É preciso ler pelo menos cinco livros por mês”, dizem.
“Você ainda está nesse mesmo livro depois de dois meses?”
Mas o quanto essas leituras realmente nos marcam? O quanto você se lembra dos assuntos lidos nos livros?
Esse cenário alastra-se para dentro das salas de aula. Os estudantes tornam-se cada vez mais impacientes com o tempo exigido para compreender a estrutura de sentenças complexas em textos densos e mais avessos ao esforço necessário para ir a fundo em sua análise textual.
|Será que esse cenário nos ajuda a realmente aprender?
Tudo o que lemos compõe nosso acervo de conhecimento. É o que nos permite fazer boas associações entre as informações, facilitando a criação de memórias. A leitura reflexiva e lenta está perecendo e, com ela, a capacidade crítica. Quando apenas “passamos o olho”, o quanto de conhecimento crítico e reflexivo é criado?
Por recebermos tantos inputs de informações, não sobra tempo necessário para pôr o conhecimento à prova, fazer associações e armazenar a informação recém-chegada. Não esperamos a informação “gestar” em nós. Será que esse tipo de leitura acelerada nos permite a verdadeira internalização do conteúdo?
Ler e estudar tomam tempo. Mais tempo do que um vídeo curto nas redes sociais. Porém, esse tempo não é desperdiçado. Resulta em pensamentos que continuam ecoando e dando bons frutos muito depois que o livro se fecha.
Que possamos refletir juntos: Será que nos conformamos em ler de forma performática e superficial?



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